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Pesquisa Qualitativa - Estudo de Caso



1 - INTRODUÇÃO


A pesquisa qualitativa é um método de pesquisa social que ganhou espaço nas áreas da Psicologia, Saúde, Educação e Administração de Empresas. É um tipo de pesquisa que costuma ser direcionada e não busca medir ou enumerar eventos como na pesquisa quantitativa.
Na pesquisa qualitativa o pesquisador procura diminuir a distância entre o contexto e a ação, usando a lógica da análise fenomenológica, isto é, da compreensão dos fenômenos pela sua descrição e interpretação. As experiências pessoais do pesquisador são elementos importantes na análise e compreensão dos fenômenos estudados. Tem as seguintes características:
  • O pesquisador observa os fatos sob a ótica de alguém interno à organização.
  • Busca uma profunda compreensão do contexto da situação.
  • Enfatiza o processo dos acontecimentos, isto é, a seqüência dos fatos ao longo do tempo.
  • O enfoque da pesquisa é mais desestruturado, não há hipóteses fortes no início da pesquisa. Isso lhe confere bastante flexibilidade.
  • Geralmente emprega mais de uma fonte de dados.
  • Tem caráter descritivo.
  • O seu enfoque é indutivo.

Escolher o tipo de delineamento da pesquisa requer do pesquisador o conhecimento e a definição do problema que será estudado. Na escolha de um estudo de caso o pesquisador estará fazendo uma pesquisa experimental, obtendo os dados mediante contato direto e interativo com a situação ou objeto estudado. Neste tipo de pesquisa é comum o pesquisador tentar entender o fenômeno segundo a perspectiva dos participantes da situação investigada e, a partir daí situar sua interpretação dos fenômenos e objetos estudados.
A pesquisa qualitativa é mais exploratória, descritiva e indutiva, envolvendo técnicas como, análise de dados, entrevistas individuais, discussões em grupos e o estudo de caso, o qual será o nosso enfoque neste trabalho.

2 - CONCEITO


Para Ludke o estudo de caso é o "estudo de um caso", seja ele simples e específico ou complexo e abstrato. O caso é sempre bem delimitado, devendo ter contornos claramente definidos no desenrolar do estudo. Pode ser similar a outros, mas é ao mesmo tempo distinto, pois tem um interesse próprio, singular.
O principal interesse incide naquilo que ele tem de único, de particular, mesmo que posteriormente venha a ficar evidentes certas semelhanças com outros casos ou situações. Ele consiste na observação detalhada de um contexto, indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico.
Segundo Gil (1994), é "um estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento". Destaca que essa modalidade de pesquisa é amplamente utilizada nas ciências sociais, biomédicas e que seus resultados, principalmente na área de biomédicas, são apresentados em aberto, ou seja, na condição de hipóteses, não de conclusões. Define um conjunto de etapas que podem ser seguidas:
  • Formulação do problema
  • Definição da unidade-caso, determinação do número de casos
  • Elaboração do protocolo
  • Coleta de dados
  • Avaliação e análise dos dados
  • Preparação do relatório
Outras conceituações e definições do estudo de caso segundo alguns pesquisadores:
  • O método de estudo de caso é um método específico de pesquisa de campo. Estudos de campo são investigações de fenômenos à medida que ocorrem, sem qualquer interferência significativa do pesquisador. Seu objetivo é compreender o evento em estudo e ao mesmo tempo desenvolver teorias mais genéricas a respeito dos aspectos característicos do fenômeno observado. [Fidel, 1992].
  • Um método ou uma abordagem ? A sociologia francesa o descreve como uma abordagem monográfica. Seu objetivo é reconstruir e analisar um caso sob a perspectiva sociológica. Como utiliza vários métodos de coleta de dados, parece ser mais apropriado defini-lo como uma abordagem, embora o termo método de caso sugira que seja um método. [Hamel, 1993].
  • O estudo de caso consiste em uma investigação detalhada de uma ou mais organizações, ou grupos dentro de uma organização, com vista a prover uma análise do contexto e dos processos envolvidos no fenômeno em estudo. O fenômeno não está isolado de seu contexto (como nas pesquisas de laboratório), já que o interesse do pesquisador é justamente essa relação entre o fenômeno e seu contexto. A abordagem do estudo de caso não é um método propriamente dito, mas uma estratégia de pesquisa. [Hartley, 1994].
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Podemos perceber que o estudo de caso pode ser um método para uns e uma abordagem ou uma estratégia para outros que procura investigar um fato social não isolado, utilizando-se da pesquisa de campo e de vários métodos de coleta de dados, provocando em quem participa do processo vivências de experiências e descobertas pessoais beneficiando todos os participantes a um crescimento e uma discussão sobre o problema estudado.


3 - ORIGEM


Para Barros, a "origem do termo "estudo de caso" remonta à pesquisa médica e psicológica referindo-se à análise minuciosa de um caso individual, explicativa de patologias".(2000:95)

4 - CARACTERÍSTICAS


O estudo de caso tem suas próprias características, segundo Ludke: "os princípios associados ao estudo de caso "naturalístico" se superpõem às características gerais da pesquisa qualitativa, destacando-se:
1. Os estudos de caso enfatizam a "interpretação em contexto". Um princípio básico desse tipo de estudo é o fato de que é preciso levar em conta o contexto em que ele se situa. As ações, as percepções, os comportamentos e as interações das pessoas devem ser relacionadas à situação específica onde ocorrem ou à problemática determinada a que estão ligadas.
2. Os estudos de casos buscam retratar a realidade de forma completa e profunda.O pesquisador procura revelar a multiplicidade de dimensões presentes numa determinada situação ou problema, focalizando-o como um todo. Esse tipo de abordagem enfatiza a complexidade natural das situações, evidenciando a inter-relação dos seus componentes.
3. Os estudos de caso usam uma variedade de fontes de informação. O pesquisador recorre a uma variedade de dados, coletados em diferentes momentos, em situações variadas e com uma variedade de tipos de informantes. Com essa variedade de informações, ele poderá cruzar informações, confirmar ou rejeitar hipóteses, descobrir novos dados, afastar suposições ou levantar hipóteses alternativas.
4. Os estudos de caso revelam experiência vicária e permitem generalizações naturalísticas. O pesquisador procura relatar as suas experiências durante o estudo, de modo que o leitor ou usuário possa fazer as suas "generalizações naturalísticas". Em lugar da pergunta: Este caso é representativo do que? O leitor vai indagar: O que eu posso (ou não) aplicar deste caso na minha situação? A generalização naturalística ocorre em função do conhecimento experiencial do sujeito, no momento em que este tenta associar dados encontrados no estudo com dados que são frutos das suas experiências pessoais.
5. Os estudos de caso procuram representar os diferentes e às vezes conflitantes pontos de vista presentes numa situação social. Quando o objeto ou situação estudados podem suscitar opiniões divergentes, o pesquisador vai procurar trazer para o estudo essa divergência de opiniões, revelando ainda seu próprio ponto de vista sobre a questão. É deixado aos usuários do estudo tirar conclusões sobre esses aspectos contraditórios.
6. Os relatos de estudo de caso utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa. Os dados de estudo de caso podem ser apresentados numa variedade de formas, tais como dramatizações, desenhos, fotografias, colagens, slides, discussões, mesas redondas etc. Os relatos escritos apresentam um estilo informal, narrativo, ilustrado por figuras de linguagem, citações, exemplos e descrições. É possível também que um mesmo caso tenha diferentes formas de relato, dependendo do tipo de usuário a que se destina.( 1986:17)


5- VANTAGENS E DESVANTAGENS


Como toda pesquisa existem vantagens e desvantagens em relação ao estudo de caso. As principais vantagens em relação a outros métodos, segundo Mattar, são:
· Interação entre os elementos que enriquecem os resultados
· Estimulação
· Espontaneidade e naturalidade nas colocações
· Flexibilidade para o moderador dirigir a discussão para um novo tópico interessante que tenha surgido e que não havia sido previsto
· Profundidade
· Amplo leque de dados possíveis de se obter
· Rapidez na coleta (1993: 174)
. A grande vantagem do estudo de caso é permitir ao pesquisador concentrar-se em um aspecto ou situação específica e identificar, ou tentar identificar, os diversos processos que interagem no contexto estudado. Esses processos podem permanecer ocultos em pesquisas de larga escala (utilizando questionários), porém são cruciais para o sucesso ou fracasso de sistemas ou organizações.(Bell, 1989).
. O ponto forte do estudo de caso é sua capacidade de explorar processos sociais à medida que esses ocorrem nas organizações, permitindo uma análise processual, contextual e longitudinal das várias ações e significados que ocorrem e são construídos nas organizações. A natureza mais aberta da coleta de dados em estudos de caso permite analisar em profundidade os processos e as relações entre eles. (Hartley, 1994).
Apesar do estudo de caso ter bastantes vantagens como podemos ver acima, esse tipo de pesquisa também apresenta suas desvantagens, e sua principal desvantagem é que a pesquisa por ter caráter qualitativo não se tem como avaliar de forma conclusiva e definitiva os dados obtidos. As principais desvantagens em relação aos demais métodos de pesquisa são:
· O pesquisador tem menor controle sobre os dados gerados (no caso de existir um grupo de questões predefinidas ou uma forte necessidade de manter comparação entre as entrevistas)
· Não é possível saber se a interação em grupo reflete ou não o comportamento individual
· Os dados são mais difíceis de analisar
. A interação do grupo forma um ambiente social e os comentários devem ser interpretados dentro desse contexto
· Não é baseado em um ambiente natural e a discussão deve ser conduzida em ambiente que propicie o diálogo
· Exige entrevistadores treinados cuidadosamente.
· 0s grupos são difíceis de reunir
Apesar das desvantagens existentes na aplicação do estudo de caso, a coleta de dados é bastante interessante, a qual aporta uma convicção ao pesquisador ou analista e lhe fornecem subsídios para a elaboração de hipóteses ou a construção de instrumentos que permitirão avançar nas investigações.

7 - CONSIDERAÇÕES FINAIS


O ato de pesquisar é uma atividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente. É uma atividade de aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação particular entre teoria e dados. Sendo assim, por meio da pesquisa é possível uma maior compreensão da realidade que nos cerca com a possibilidade de uma melhor intervenção.

Existem diversos procedimentos que colaboram para o desenvolvimento de uma pesquisa. O estudo de caso é um tipo de pesquisa qualitativa aplicada em ciências humanas e sociais que proporciona ao pesquisador analisar fenômenos e situações inseridas em seu contexto possibilitando uma melhor compreensão do objeto de estudo. Apesar das várias críticas sofridas nesse tipo de pesquisa, por ser qualitativa e seus resultados não poderem ser mensurados nem generalizados, tem sido crescente a aplicação desse método nos mais diversos campos do conhecimento.
Entretanto, é necessário lembrarmos de que um método por si só não é bom ou ruim. O julgamento a respeito de um método em uma determinada pesquisa depende de dois fatores: o relacionamento entre a teoria e o método; e como o pesquisador lida com as potenciais deficiências do método.(Hartley, 1994, in Dias, Cláudia).

8 - REFERÊNCIAS


BARROS,Aidil Jesus da Silveira e LEHFELD Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de Metodologia Cientifica- Um guia para iniciação cientifica. São Paulo: Editora Makron Books.2000.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed.São Paulo: Atlas, 1999.
http://www.geocities.com/claudiaad/case_study.pdf
LÜDKE, Menga. ANDRÉ, Marli E.D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MATTAR, Fauze N. Pesquisa de Marketing. São Paulo: Editora Atlas, 1993.


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